domingo, 24 de dezembro de 2017

Natal 2018

Boa tarde!
A escassas horas da Noite de Natal partilho convosco um poema que reflecte a forma como actualmente o Natal é vivido.

Mulheres atarefadas 
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
-- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
-Oh mãe, estou pr'a ver 
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio, 
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu, 
Toda a gente Me esqueceu?
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!Voto
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!! 
João Coelho dos Santos in Lágrima do Mar - 1996

No meio de tantas luzes ofuscantes, barulho ensurdecedor, publicidade a competir pela nossa atenção e a tentar fazer-nos acreditar que precisamos de determinado objecto para sermos "felizes", tentemos viver o Natal no seu mais profundo sentido... porque não é este o Natal de Jesus!

Votos de um Santo Natal
Forte abraço a todos 

sábado, 14 de outubro de 2017

Do início do ano letivo até à PSI

Boa tarde a todos!
Tudo bem?
Bastante tempo sem escrever tem como consequência ter vários assuntos para abordar, entre os quais: o início do ano letivo, as eleições autárquicas , a entrada em vigor da PSI.
Quanto ao início do ano letivo para mim foi um pouco atribulado, aliás, talvez por isso eu nem sequer tenha tido tempo para fazer a alusão aqui. O. 12º é um ano particularmente exigente sem dúvida de qualquer forma a minha atitude é a de sempre: dar o melhor de mim!
As eleições autárquicas... devo dizer que exerci, pela primeira vez, o meu dever e direito de voto com todo o orgulho e convicção! Isto porque considero que o sufrágio universal foi uma conquista tão difícil de alcançar que cabe-nos a nós, hoje, honrar e fazer valer o que outrora foi conquistado (nem que o voto seja nulo ou em branco. É uma questão de cidadania!
É possível requerer a Prestação Social para a Inclusão desde a passada segunda-feira com efeitos a partir de 1 de outubro como a Comunicação Social havia avançado. Quanto aos beneficiários, a informação publicada recentemente é um pouco contraditória. Há fontes que reiteram o indicado inicialmente  ou seja, apenas pessoas com incapacidade igual ou superior a 80% têm acesso à Prestação. Por outro lado, algumas fontes apontam para um alargamento de beneficiários de forma a que a Prestação abranja Pessoas com grau de incapacidade igual ou superior a 60%. Enfim, aguardamos esclarecimentos.
Antes de terminar permitam-me o desabafo... Ultimamente tenho-me deparado com vários carros e motas estacionados em cima dos passeios. Curiosamente mais do que é habitual no meu quotidiano. Por que será?
Se por acaso encontrarem alguma informação sobre a Prestação Social para a Inclusão, que colmate estas duas versões aparentemente antagónicas, por favor partilhem!
Muito obrigada!

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Albufeira 2017

Boa tarde!
Tudo bem?
Antes de mais, peço desculpa pela demora das notícias das férias.
" O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e Pessoas incomparáveis!"  
Fernando Pessoa
Esta frase espelha perfeitamente a minha história com Albufeira  nestes 15 anos consecutivos.
Mais um ano cheio de surpresas.
Em Albufeira sinto-me em casa  É tão bom sermos recebidos pelos amigos de braços abertos, rever as Pessoas!
Também me acontece sentir que o tempo não passou porque ao cumprimentarem-me, de forma próxima e familiar  parece que me viram no dia anterior. O mesmo acontece com quem nunca me cruzei: parece que nos conhecemos apesar de nunca nos termos visto. Isto porquê? Porque há sempre uma pessoa que faz a ponte. O que é muito bom e proporciona uma inclusão natural, já não caio de "pára-quedas".
Quer dizer... Mais ou menos... Há sempre surpresas! Não é!? Por exemplo, ofereceram-me uma t-shirt com a frase de Fernando Pessoa, supra mencionada, escrita e mais alguma coisa. O que me deixou em surpresas emocionada, evidentemente! Outras surpresas existiram das quais não posso falar.
Partilho convosco algumas fotogras





Muito, muito, muito obrigada a todos pelas férias fantásticas que me proporcionaram!Para quem não tive oportunidade de ver, um abraço enorme!

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Praia

Olá a Todos!
como estão?
Na véspera de me despedir do Porto por 10 dias rumo a um lugar cheio de praia e mar partilho convosco uma música do mais recente álbum de Mafalda Veiga intitulado dessa mesma forma - "Praia"! Espero que gostem!

O refrão desta música espelha na prefeição o que sinto em relação à praia e ao mar! Eu preciso de me sentir livre mergulhando na imensidão daquele mar. Preciso de observar e respirar o cheiro da areia molhada e do mar. Preciso de sentir o coração a bater mais forte quando furo duas ondas seguidas!
Isto tudo para me lembrar o quanto devo estar grata pelo Dom da Vida, pelo Criador oferecer tão pura e também para me fortalecer para o Novo Ano que se avizinha.
Muito obrigada

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

PSI - atribuída incondicionalmente só se tiver 80%

Bom Dia!
Tudo bem?
Enquanto pesquisava na Internet veio-me ao ecrã do computador a notícia de um novo subsidio para pessoas com incapacidade, a Prestação Social para a Inclusão.
http://rr.sapo.pt/noticia/90840/pessoas_com_deficiencia_ou_incapacidade_igual_ou_acima_de_80_vao_receber_264_eurosmes - aqui está o link da notícia para quem desejar saber mais e passar da satisfação à desilusão...
Pelo menos foi o que me aconteceu a mim: ao ler de relance fiquei muito satisfeita mas depois ao ler atentamente levei com um balde de água fria, isto porquê? Porque fiquei indignada! Esta prestação é atribuída incondicionalmente. Até aqui tudo bem!
Ah esperem! Existe um "se não" Esta prestação só é concedida a pessoas com incapacidade igual ou superior a 80%. atestada e certificada! Ou seja este ínfimo pormenor exclui apenas grande parte dos cidadãos portugueses com alguma patologia. Mais, note-se que esta medida tem uma dimensão de cidadania e é designada como Prestação Social para a Inclusão o que não deixa de ser curioso tendo em conta que isto promove claramente a discriminação entre patologias e incapacidade. No fundo resume-se ao ditado "quanto menos, mais" o que é contraproducente e diminuidor.
É verdade que não sou apologista de que a atribuição de subsídios seja exclusivamente regida pelos rendimentos contudo considero que a base de 80% de incapacidade para a atribuição desta prestação é absurda quando conheço pessoas a quem o Atestamento Multiusos atribui, por exemplo, 50 ou 60% e necessitam tanto ou mais do que eu, com 85%, de apoio quer económico, quer pessoal e técnico.
Nestas situações o mais usual é que a base de atribuição seja a partir dos 60, 65% de incapacidade o que não é o ideal mas é mais razoável do que o que  acaba de ser noticiado.
Em suma, o que eu sugiro é que seja feita uma avaliação personalizada e rigorosa de todos os factores para que a atribuição seja casuística e não estandardizada.

Muito Obrigada!
Até à Próxima!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

É a Vida que grita

Boa tarde a todos!
Tudo bem?
Há uns dias veio-me à cabeça  este refrão de uma música escutista que agora partilho:
Grita comigo que é possível
Avançar contra a corrente.
Grita comigo que é possível,
Se te tiram as palavras,
Será tua vida a que grita fortemente!

Retirem o sentido de cada frase que constitui este refrão.
Ele é um apelo a que façamos a diferença sem medo de ser ponto de rotura relativamente ao que está pré-estabelecido. Mesmo quando nos tentam calar por sermos incómodos e inconvenientes devido à frontalidade das palavras. Aí é através do testemunho da nossa própria vida que nos fazemos ouvir e marcamos una posição!
A experiência de lidar comigo mesma diz-me que não fácil ser e agir deste modo: a frontalidade incomoda aqueles que não usam dela porque quando lhes serve a carapuça e se revêem naquilo que se diz é mais fácil apelidar a frontalidade de arrogância, falta de educação ou até de diplomacia, do que assumir que se agiu de determinada forma. O mais complicado é quando algo com que não se concorda acontece mesmo debaixo do nosso nariz e uma pessoa se sente impotente por algum motivo. Nessa circunstância fica-se na dúvida qual será o melhor caminho ou o mal menor.
Todavia quem é directo, frontal, honesto e verdadeiro não sabe ser de outra forma. Sabem porquê? A consciência não deixa, não é!?
Ter discernimento para distinguir o certo do errado, o justo do injusto é o que eu peço todos os dias! Até ao momento julgo não ter perdido essa capacidade quando isso acontecer avisem por favor!
Obrigada!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Atenção - um recurso escasso

Bom Dia!
Tudo bem?
Na rubrica "o novo normal" da Rádio Renascença, Fernando Ilharco alerta-nos para o facto de o recurso mais escasso na actualidade ser a atenção das pessoas.
É necessário prestar atenção à atenção! 
"Hoje o recurso mais escasso para o sucesso não é o capital, nem o conhecimento, nem a tecnologia. É a atenção das pessoas, diz-nos Fernando Ilharco, em conversa com Carlos Bastos. Num novo normal digital, dizemos-lhe quais as vantagens de escrever "à moda antiga". E falamos-lhe ainda do futuro do livro e de porque é que os smartphones, usados por 70% dos portugueses, podem provocar passividade, baixa auto-estima, perda de memória e baixas de produtividade."  - http://rr.sapo.pt/artigo/77543/a_atencao_a_atencao_os_smartphones_a_auto_estima_e_o_futuro_dos_livros *
Neste âmbito, confesso que das coisas que mais me incomoda é eu estar a conversar pessoalmente com alguém e, por seu turno, essa pessoa estar com o seu dispositivo móvel a enviar uma mensagem, publicar ou comentar uma post no facebook ou responder a terceiros no chat. Sou confrontada com isso quase diariamente, quanto mais observo mais me incomoda. Não me refiro a uma mensagem pontual que chega quando duas pessoas estão a tomar café ou almoçar mas sim aquelas situações em que as pessoas olham para o ecrã do telemóvel ininterruptamente em vez de olhar nos olhos das pessoas durante a conversa.
Hoje em dia vale mais uma reacção a uma publicação no facebook ou um abraço? Uma mensagem rápida via chat ou uma conversa cara a cara? Um robô que executa as acções de forma mecânica  ou uma pessoa com emoções? Eu escolho um abraço, uma conversa olhos nos olhos, uma Pessoa!
A tendência não é esta mas está nas nossas mãos não nos deixarmos dominar pela tecnologia mas sim sermos nós a dominá-la!
Seria incoerente da minha parte estar contra a tecnologia uma vez que é ela o meu principal instrumento de trabalho. Através de um computador eu consigo fazer coisas que de outra forma se tornariam muito mais difíceis de executar dada a minha limitação física:  ler sem esforço, escrever, acompanhar uma aula, resolver problemas sem ter de me deslocar aos serviços, comunicar de forma rápida e abrangente. A tecnologia é um instrumento extraordinário indubitavelmente nem eu nem nenhum de vós, com certeza, conseguiria viver, ter qualidade de vida sem esta ferramenta.
Eu apelo simplesmente a que não permitam que a tecnologia passe do que é... uma ferramenta!
Prestem atenção a quem esta ao vosso lado fisicamente e a quem disponibiliza tempo para conversar e dá atenção! Não se esqueçam que a atenção e o tempo são recursos escassos nos dias que correm.

Obrigada!
* Link prodcast de "O novo normal", Fernando Ilharco, Rádio Renascença